Impressões, apenas impressões…

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Mark Twain

Entre os muitos textos que o escritor Mark Twain (1835-1910) deixou inéditos, figura uma autobiografia que será lançada nos EUA, em novembro, e este pequeno ensaio de 1889-90, divulgado pela primeira vez na semana passada, pela Universidade da Califórnia, sobre um gênero nascente e já polêmico: a entrevista de jornal.

NINGUÉM GOSTA DE SER ENTREVISTADO, mas ninguém gosta de dizer não, pois os entrevistadores são corteses e gentis, mesmo quando têm o propósito de destruir. Não me entendam mal: não estou dizendo que sempre chegam com a intenção deliberada de destruir, ou que só depois percebam ter destruído; não, acho que a atitude deles tem mais a ver com a de um ciclone, que chega com o propósito ameno de refrescar um vilarejo sufocante e depois não se dá conta de que fez tudo ao vilarejo, menos um favor.

O entrevistador espalha você para todos os lados, mas não passa pela cabeça dele que você possa considerar isso uma desvantagem. Quem culpa um ciclone só faz isso por não atinar que massas compactas não são exatamente a ideia que um ciclone faz da simetria. Aqueles que se queixam de um entrevistador fazem isso por não ponderar que, afinal de contas, ele não passa de um ciclone, ainda que disfarçado de Deus, como o restante de nós; ele não tem consciência da devastação, nem mesmo quando varre o continente com os nossos despojos e acredita que está tornando nossa vida mais agradável; e que, portanto, espera ser julgado por suas intenções, e não por suas realizações.

TEMOR A entrevista não foi uma invenção feliz. Talvez seja a maneira mais precária de alcançar o âmago de um homem. Em primeiro lugar, o entrevistador não tem nada de estimulante, pois inspira temor. Você sabe pela experiência que não tem escolha diante do desastre. Não importa o que ele ponha na entrevista, você logo vê que teria sido melhor se tivesse posto outra coisa: não que aquilo fosse melhor do que isto, apenas não seria isto; e toda mudança deve ser, e seria, para melhor, ainda que, na realidade, você saiba muito bem que não é assim.

Talvez eu não tenha me expressado direito: nesse caso, então eu me expressei direito -algo que eu só conseguiria me expressando com pouca clareza, pois o que quero demonstrar é o que você sente nessa situação, e não o que pensa -pois você não pensa; não se trata de uma operação intelectual; você apenas anda em círculos, acéfalo.

Obtusamente, tudo o que você quer é não ter feito aquilo, mesmo que, na realidade, não saiba o que gostaria de ter deixado de fazer e, mais ainda, você não se importe: esse não é o ponto; você só queria não ter feito aquilo, seja lá o que for; uma vez feito, é uma questão sem importância e não vem mais ao caso. Dá para entender o que quero dizer? Você já passou por isso? Pois bem, é assim que alguém se sente ao ver sua entrevista publicada.

CONCHA Pois é, você teme o entrevistador e isso não é estimulante. Você se fecha na sua concha; monta a guarda; tenta parecer inócuo; procura ser engenhoso e, sem nada dizer, faz rodeios e contorna o assunto; quando lê o resultado impresso, fica enojado ao notar como você se saiu bem.

O tempo todo, diante de cada nova pergunta, você está alerta para enxergar aonde o entrevistador está lhe conduzindo, a fim de frustrá-lo. Sobretudo quando o pega buscando sub-repticiamente levá-lo a dizer uma coisa engraçada. E é isso mesmo o que ele tenta fazer.

Ele demonstra isso de modo tão óbvio, empenha-se com tal franqueza e atrevimento que, já na primeira investida, o reservatório se fecha, e, na seguinte, se torna perfeitamente estanque. Não creio que, desde a invenção dessa prática sinistra, algo verdadeiramente bem-humorado tenha sido dito a um entrevistador.

No entanto, como ele precisa de algo “característico”, só lhe resta contribuir, ele mesmo, com o humor, introduzindo-o aqui e ali durante a transcrição da entrevista. Esse humor é sempre esdrúxulo, muitas vezes palavroso e, em geral, formulado em “dialeto” -mesmo assim, um dialeto inexistente e inviável. Tal método já acabou com mais de um humorista. Mas não há aí nenhum mérito do entrevistador, afinal esta jamais foi a intenção dele.

EQUÍVOCO São inúmeras as razões pelas quais a entrevista é um equívoco. Uma delas é que o entrevistador nunca parece refletir que, após ter aberto essa, aquela e mais outra torneira com sua profusão de perguntas, e ter descoberto qual delas jorra com mais abundância e interesse, o mais sensato seria restringir-se a ela e aproveitá-la ao máximo, deixando de lado as vacuidades já recolhidas.

Ele não pensa assim. Inevitavelmente interrompe a torrente, indagando sobre ainda outro assunto; e assim, de uma vez, desaparece, e para sempre, a sua única e débil oportunidade de conseguir algo que valha a pena levar para casa. Teria sido muito melhor ater-se ao assunto que despertou a loquacidade do entrevistado, mas é impossível convencê-lo disso.

Ele não consegue distinguir o momento em que você entrega o metal daquele em que o soterra com escória, entre o ouro e a borra; para ele, tudo se equivale, e ele inclui tudo o que você diz; depois, ao ver-se diante de tanta coisa imatura e imprestável, tenta remediar a situação incluindo algo de sua lavra que lhe pareça maduro, quando, na verdade, está podre. Sem dúvida, a intenção é boa, mas a do ciclone também.

Ora, as interrupções, o jeito de desviar você de um assunto para o outro, por fim têm um efeito muito grave: você está presente em cada tema, mas apenas em parte. Em geral, do que você pensa só consegue expor o suficiente para prejudicá-lo; jamais alcança aquele ponto em que pretendia explicar e justificar a sua posição.

O Garantismo Penal

Somente será possível a aplicação da pena quando houver, efetivamente, a prática de determinada infração penal (nulla poena sine crimine), que, a seu turno, deverá estar expressamente prevista na lei penal (nullum crimen sine lege). A lei penal somente poderá proibir ou impor comportamentos, sob a ameaça de sanção se houver absoluta necessidade de proteger determinados bens, tidos como fundamentais ao nosso convívio em  sociedade, em atenção ao chamado direito penal mínimo (nulla lex  sine necessitate). As condutas tipificadas pela lei penal devem, obrigatoriamente, ultrapassar a pessoa do agente, isto é, não poderão se restringir à sua esfera pessoal, à sua intimidade, somente havendo possibilidade de proibição de comportamentos quando estes vierem a atingir bens de terceiros (nulla necessitas sine injuria), exteriorizados por uma ação (nulla injuria sine actione), sendo que, ainda, somente ações culpáveis poderão ser reprovadas (nulla actio sine culpa).

Ainda, existe a necessidade de um sistema tipicamente acusatório, no modelo garantista de Ferrajoli. Com a presença de um juiz imparcial e competente para o julgamento da causa (nulla culpa sine judicio), que não se confunda com o orgão de acusação (nulla judicium sine accusatione). Fincando, ainda, a cargo deste último o ônus probatório, que não poderá ser transferido para o acusado da prática de determinada infração penal (nulla accusatio sine probatione), devendo ser assegurada a ampla defesa, com todos os recursos a ela inerentes (nulla probatio sine defensione).

Um mês para viver

Bom, comecei mal. O dia 1° do mês foi ante-ontem, estou um pouco atrasado no meu objetivo de ler-praticar-interagir com o livro “Um mês para Viver” do casal: Kerry e Chris Shook. Mas, como nunca é tarde para começar, aí vamos nós!

Para contextualizá-los, este livro foi baseado em anos de convivência do casal com pacientes terminais. Kerry e Chris perceberam, que entre os diversos pacientes existiam alguns que demonstravam atitudes distintas dos demais. Eram tranquilos, serenos…contrários da maioria que se desespera e muda completamente o estilo de vida nesse curto espaço de tempo que lhes resta.

A conclusão que o casal chegou é de que uma minoria viveu a vida como deveria viver. Os serenos e tranquilos geralmente são aqueles que viveram a vida de maneira coerente e integral. Já os outros, tentam fazer nesses últimos tempos o que deixaram de fazer ao longo de toda a vida, passam a dar importância ao que realmente é importante nesse curto espaço de tempo.

Mas e o livro? Bom, o casal decidiu fazer um livro-diário com histórias e reflexões para serem lidas durante 30 dias de um mês. A cada dia existem reflexões e desafios propostos para tentarmos viver como aqueles que não se surpreendem com o fim da vida, pois já viveram de maneira tal que lhes resultou em serenidade na hora da morte. Enfim, vamos lá! 1° dia – Introdução (Vivendo o traço): “A morte é mais universal que a vida; todo mundo morre, mas nem todo mundo vive.” (Alan Sachs)

Filmes dos mestres

O blog Recanto das Palavras, que agora é um portal (recantodaspalavras.com.br), adicionou um post interessante o qual aproveito para registrar aqui, 10 filmes sobre professores. São eles:

1. O anjo azul (1930)
2. Adeus, Mr. Chips (1939)
3. Ao mestre com carinho (1967)
4. Conrak (1974)
5. Um diretor contra todos (1987)
6. Sociedade dos poetas mortos (1989)
7. Clube do imperador (2002)
8. O preço do desafio (1988)
9. Mr. Holland, adorável professor (1995)
10. O sorriso de monalisa (2003)

Baruch Haba

Workaholic!

A pouco mais de 24h para um novo mês, aparentemente nada irá mudar. As férias, que antes eram tempos ansiosamente esperados, hoje, trata-se apenas de um semi-descanso.

Livre da faculdade, porém não livre do trabalho. Fazer o quê? Dizem que é ele que enobrece o homem, acredito! Bom, mas para esse mês de Julho pretendo algo novo. Uma espécie de retiro espiritual, misturado com reclusão para estudo, com uma pitada de bem-estar.

Estudar – já separei alguns livros e o edital da Defensoria Pública para encarar nessas férias. Tentarei cumprir o maior número de tópicos que conseguir. Espero estudar 50 páginas/dia, dissolvidas em 2 matérias por jornada. Assim, cuidarei da mente!

Retiro – com intuito de cuidar da alma, decidi ler o livro: Um mês para viver; trinta dias para uma vida sem arrependimento. O livro trata de um devocional de apenas um mês, nele, além das leituras diárias, encontramos objetivos a serem alcançados, propostas de reflexões, tendo como pano de fundo uma vida sem arrependimento. Usarei esse espaço para executar as tarefas propostas a cada dia, deste modo, ao final do mês de Julho terei lido o devocional inteiro, e minhas impressões estarão registradas aqui. Assim, cuidarei do meu espirito!

Bem-estar – barriga crescendo, músculos mirrados e postura incorreta. É o que estou sentindo de mim. Para evitar, pelo menos um pouco, esse sedentarismo crônico, pretendo, durante as férias, entrar em uma academia e mexer um pouco o esqueleto. Assim, cuidarei do meu físico.

Foi dada a largada!

O ano de 2010 já começou, estamos próximos da metade de seu primeiro mês. Planos são traçados, promessas são feitas e os dias continuam a rolar. Normalmente as pessoas exageram nas metas para o ano, eu sempre fui um desses. Listas de 15 ou 20 atividades a serem concluidas durante o ano eram sempre elaboradas, mas literalemnte só ficavam no papel.

Nos enganamos quando planejamos com tanta antecedência um ano que mal começou, tudo é tão incerto. Mas, enganam-se aqueles que acham que sou um adepto do “deixa a vida me levar”, apenas percebi que pouco adiantava planejar tanto.

Assim, mais como uma maneira de me organizar, decidi escrever esse post contando com não mais do que 5 objetivos para o ano, não que eu não possua mais. Mas por achar desnecessário alongar a lista. Quero perseguir esses cinco iniciais, para ter metas mais curtas e possíveis de alcançar.

1. Estágio: inicio o quarto ano da faculdade, as matérias já estão completamente relacionadas ao Direito. Sem aquelas perfumarias de sociologia, antropologia, psicologia, que constavam nos primeiros anos. O jogo começou! Aliás, desde o ano passado o jogo já havia começado. O terceiro ano é um período com matérias muito importantes. Alguns colegas já conseguiram se estabilizar em estágios no Ministério Publico e Magistratura, o que é preocupante, por que não consegui também? Falta de foco e determinação é a resposta.